[ALERTA: o texto a seguir aborda uma situação de preconceito racial. Racismo é crime e pode ser denunciado em qualquer delegacia, com registro de boletim de ocorrência, ou pelo 190 em caso de flagrante. Também é possível denunciar de forma anônima pelo Disque 100]
Um caso de racismo resultou na expulsão da participante Carmiña Masi, do reality show “Gran Hermano”, a versão argentina do “Big Brother”. Ela foi desclassificada nesta quarta-feira (11), após comparar a colega de confinamento, Jenny Mavinga, a uma escravizada.
Os comentários aconteceram durante a tarde durante uma conversa com aliados, enquanto Carmiña observava de longe Jenny dançar com outros colegas. "Olhem lá. Eles estão tipo 'acabaram de comprar aquela negra, e ela está aqui para dar um show, acabou de desembarcar do barco'. Tem uma escrava ali, acabaram de tirá-la da gaiola", afirmou a racista.
Coube ao Gran Hermano, uma voz misteriosa equivalente ao nosso Big Boss, expulsar Carimña da casa. A produção do programa afirma que foi montado um comitê com especialistas para decidir pela expulsão da racista.
"Tem comentários que não devem ser feitos. E hoje eu escutei um que me causou preocupação e muita vergonha. Carmiña, saiba que não vamos deixar passar seu comportamento desagradável. Você proferiu palavras racistas, absolutamente fora de lugar, sobre sua companheira Mavinga. Se trata de uma conduta inadmissível. Receberá uma punição severa e está expulsa da casa", informou o Gran Hermano.
O apresentador Santiago del Moro dividiu com o público um comunicado da produção do programa e destacou que “limites foram ultrapassados”. "Acontecem coisas melhores ou piores, algumas mais canceláveis, e também outras coisas que têm projeção internacional com regras rígidas. O racismo é um desses temas, porque não é a primeira vez que isso acontece na casa, nem na vida real.”
Carmiña é uma radialista e apresentadora de televisão paraguaia, com cerca de 20 anos de carreira. Assim como no “BBB 26”, a nova temporada do reality argentino mistura anônimos, famosos e veteranos do programa. A jornalista já acumula polêmicas em sua trajetória, como uma ofensa ao idioma guarani, um dos oficiais do Paraguai, e um processo por calúnia, difamação e injúria do qual era testemunha e chegou a ser detida por conta de registros judiciais desatualizados. Ela foi libertada um mês depois.
Carmiña permanece em silêncio e sua equipe se recusou a emitir uma nota em nome dela após os últimos acontecimentos. A decisão dos representantes foi comunicada ao público no Instagram, onde ela acumula mais de 700 mil seguidores.
“A verdade é que preferimos esperar. Não queríamos dizer nada antes que Carmina pudesse se pronunciar, porque acreditamos que cabe a ela falar primeiro”, explicou a equipe, que, mesmo assim, não perdeu a oportunidade de tentar dar aquela passada de pano.
“Sabemos que o comentário que ela fez foi errado. Reconhecemos isso claramente. Não o justificamos nem concordamos com ele. Também sabemos que existem erros que, para muitas pessoas, podem parecer imperdoáveis. Entendemos esse sentimento e o aceitamos com firmeza e respeito por aqueles que se sentiram ofendidos. Mas aqueles que conhecem Carmina também sabem algo muito profundo: aquele momento não define quem ela é.”